como antes

…fiquei perdido do vai e vem do mar;
evaporei-me para voltar pela maré vazante;
voei pelos ares no turbilhão dos ventos;
desci dos montes em galopes loucos;
soube das planícies por outros andantes;
voltei a ser mar como antes;             
 
 
 
     mar como antes
                
               COMO ANTES
 
             brilha luz hilariante
             reflexos de ondas basculantes
             água corrente a jusante
             princípio do mar como antes
 
             chora meu peito constante
             largas lágrimas deslizantes
             face húmida perturbante
             fim do mar como antes
 
             tomo como calmante
             fórmula ébria dos amantes
             água salgada vazante
             vinda do mar como antes
 
             vou para um longe distante
             como os monges navegantes
             para viagem errante
             através do mar como antes
 
             Oirégor 
 
                                     
 
 
 
 
 
            
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acordar

…momentos que se distânciam com o tempo;
…às tantas, parecem-nos miragens da memória;
…aquela sensação, dúvida, se foram realmente connosco;
mas, se não foram, porque nos retornam de quando em vez?
…bem, pelo beneficio que sempre dou, quando em dúvida, aqui fica, por mim e por mais alguém…;
…o resultado da memória antes que a dúvida se instale de vez;  
 
ACORDAR
 
Hoje acordei e, vi o (a)mar aos teus pés,
era a praia da loucura,
atravessando a cama de lés a lés,
completa de encanto e de ternura;
 
Serena, era a madrugada,
espreitando, de olhos pouco abertos,
o teu corpo e a tua alma,
por entre os lençóis já descobertos;
 
Era, o início de um dia,
filho da longa noite,
acordado em telepatia,
da maresia que foste;
 
Era a sombra do encantamento,
que confundia o meu pensar,
fazendo existir nesse momento,
a presença do tal (a)mar;
 
Oirégor
 
 
 
 
 maresia
 
 
 

deixa, saudade

…sem ser convidada, quando aparece, não pede licença, vem de longe ou de perto,…;
é bem vinda, sem a querermos; 
constantemente nos retoma;
abre caminho à dor, à esperança e à leve alegria;
é um perfume que nos ficou na memória;
 
…conta sempre com mais alguém;
todos a conhecem, mesmo sem saber;
é parte do que foi e que quer voltar a ser;
quando desaparece, não deixa saudade…
 
 
 DEIXA, SAUDADE
 
 Primeiro, dói,
 Depois, fica dormente,
 Como algo que rói,
 Na alma da gente;
 
  Quando fica quieta,
 Parecendo dormir,
 Está apenas alerta,
 Para os sentidos iludir;
 
  Está longe e presente,
 Com o coração a ouvir,
 O que a alma sente,
 Faz-nos levemente sorrir;
 
 Tal como onda do mar,
 Que, devagar acalma,
 Logo, sem se dar,
 Nos atropela a alma;
 
 A deixa, saudade,
 Faz doer aquela queixa,
 Contra a nossa vontade,
 Que a saudade deixa;
 
 Oirégor
 
 
 ainda flor

amorternuramor

…um sem-amor, vagueando perdido por uma noite virtual, encontrou uma ternura que, com pressa no pensar, o desafiou a poemar, sobre o tema;
 
…foi concebido, sem pecado, AMORTERNURAMOR, que durará para sempre por todas as noites virtuais que mais se seguirem, como memória desse encontro…;
 
 
                                     AMORTERNURAMOR
 
                            Fazes sofrer, Amor,
                                     Com este tema,
                                     Sempre que for,
                                     Por esquema;
    Fazes amor, Ternura,
    Com este lema,
    Sempre que dura,
    O amor ao tema;    
    Fazes amor, no tema,
    Que dura sempre,
    Se for o lema,
    E a ternura entre;
 
    Fazes ternura,
    Entre o amor,
    Que te procura,
    Se for sem dor;
 
    Oirégor
 
 
 

                                                  noite ternura                                         

era agora

…é a memória:
não atreve a parar;
não faz reset à vida;
não tem quem a comande;
…anda à solta como quer:
não tem dia;
não tem noite;
não tem fome;
não tem sede;
…vai sempre lá atrás, buscar o futuro;
 
                                                                                                       

ERA AGORA

 

Já não existe mais, aquele telhado baixo, 

Em que era fácil chegar com a mão,

Já não existe mais, aquele muro alto,

Em que se espreitava, sem razão;

 

Era o alto, lentamente, a aproximar,

Era o cruzeiro no horizonte,

Era a longa recta para chegar,

Era a ponte, na curva, lá adiante,

 

Agora, a dimensão é tal,

Já não existe mais distância,

Agora, é tudo real,

Já nem sequer há infância;

 

Agora, é a ponte que já não existe,

Agora, é a ribeira que vai seca,

Agora, é a infância que está triste,

Agora, é outra meninice que chega;

 

Era longe, o que é agora,

Agora, já é o que não era,

É o antes de agora,

Que é o que antes não era;

 

Oirégor

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                               árvore da memória

prisioneiro da liberdade

…hoje:
…com autonomia;
…ouvindo a telefonia;
…com fonomania e outras manias da tecnologia;
…vinha cheio de energia;
…conforme a velocidade permitia…
…subitamente, tive de parar, não por mania, claro, numa daquelas vias transversais à famosa IC19, do nosso descontentamento;
…e, ali estava eu, quase a velocidade zero, naquela cela sem grades, a dar voltas com ao pensamento;
…não fui capaz de fugir às ideias;
…senti o tempo mais lento que o habitual;
…cheguei a imaginar que me encontrava só;
…não me apetecia engatar a primeira para avançar;
…despertei ao som familiar de uma corneta;
…mentalmente fui criando os versos e rimas;
…como quase sempre acontece, esqueço tudo;
…depois, quando quero recomeçar, já nada é como antes;
…mas a ideia geral fica…;
…e, hoje, ficou assim…;
 
 
                                     PRISIONEIRO DA LIBERDADE
                                             
                                              Todos os dias, deixo fugir o amor,

                            Por entre os dedos,

                            Todas as horas, deixo fugir o amor,

                            Pelos meus medos,

                            Todos os momentos, deixo fugir o amor,

                            Dos meus segredos,

                            Sempre, fujo do amor,

                            E não entendo…;

                            

                            Todas as horas, sinto esta dor,

                            De prisioneiro da liberdade,

                            Todos os momentos, sinto esta dor,

                            Na cela sem grade,

                            Sempre, esta dor,

                            E peço que acabe;

 

                                              Nos momentos, desta cegueira,

                            Corro a passo,

                            Sempre, sem eira nem beira…;

 

                            Sempre, livre, preso, no tempo…;

                            Sempre, sempre…

 

                            Oirégor

 

 

                             liberdade