sou poeta

…assim é ser poeta: é mais que um ser; é sentir com (em) todos os sentidos; é ver para além do olhar; é contar o que já foi e o que está por vir; é um rir sem motivo e chorar sem dor; é ser um todo e uma parte de nada; é viver e morrer ao mesmo tempo; é a vida de cada momento em segredo e alvoroço; é contar a desgraça e inventar a esperança;
…poeta quando:
é momento;
quando se solta a alma;
quando muda o tempo;
quando o mar se extravasa ou acalma;
…o poeta canta: o que quer; o que o chama; o que o encanta; o que houver do nada e não se suster na pena; o que o amor lhe der na real gana! …;
SOU POETA

Sou poeta, de repente,

Que acorda e que sente,

Para dizer abertamente,

Que quer estar presente!

Sou alguém, numa corrente,

Que segue sempre adiante,

Caminhando para a frente,

Sem parar, ainda que tente!

Sou rio, de água quente,

Que corre do fundo da mente,

Como se fosse torrente,

A correr, eternamente

Sou, certamente,

O passado de toda a gente!

O presente agora e sempre!

O futuro no além distante!

Oirégor

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poesia

 
…tudo é poesia:
   é o que vejo, por este único olho mágico, tal ciclope gigantesco olhando os infinitos;
   é o ar que respiramos tão naturalmente, como uma ave que voa;
   é o amor e o temor dos tempos;
   é o que existe e irá existir;
   é o certo e o errado;
   é o que comanda a vida…;
…poesia é o que os poetas quiserem que seja:
   a ordem;
   o caos;
   a beleza;
   a aberração;
   o que está longe e ao  alcance da mão;
   o novo e o velho;
   a fecundação e a morte;
   a alegria;
   a tristeza;
   a razão e a fé;
   o desânimo e a esperança;
   a eternidade e tudo o que mais vier…;
…sem a poesia o que seria dos poetas?
   vagueariam com a imaginação pelas ondas vazias dos tempos, perdidos, para sempre, sem destino;
   assim, ao menos, sabem porque se perdem…
 
                        
                                POESIA
 

Alguém disse, um dia,

                                Jogo de palavras é poesia,

                                Mais do que magia,

                                E, superior a energia;

 

                                Arte de parceria,

                                Entre sentidos e grafia,

                                Encaixando na periferia,

                                Da função e sinergia;

 

                                Palavras em alegria,

                                Dançando numa folia,

Ao som duma sinfonia,

                                Composta com harmonia;

 

                                Poesia é, sabedoria,

                                Sentida noite e dia,

                                Entre dose de ironia

                                E completa rebeldia;

 

                                                Oirégor    

 

o meu (a)mar

 

…aqui: é o meu (a)mar, onde navego, mergulho, flutuo, saio para o ar, como um golfinho a querer chegar às estrelas, ou me espraio pela areia, sempre que me apetece; é o espaço do meu ser, que aparece como quizer, sem regras e rotinas de bonança ou tempestade; é o reflexo do (a)Mar que sinto por tudo o que me rodeia, neste vai-vem, quase eterno, querendo estar dentro e fora, de tudo, ao mesmo tempo; é o todo que sinto que sou, é a parte do todo a que pertenço; é o sentir e estar em qualquer forma; é a vida em que me perco e me reencontro; mas, não é somente meu este (a)Mar, sois vós também que aqui estais comigo, mais tudo o que se verá…  

 

 

  

  (a)MAR 

 

Desaguo, fora de mim, no (a)Mar que és,

Morro, com um sorriso breve,

Abro as asas, mais uma vez,

E voo, por ti, num planar leve;

 

Descanso, nessa passagem,

Onde sempre de novo nasço,

Sinto como é serena a tua imagem,

E subo ao céu, com o teu abraço;

 

Oirégor 

princípio e origens

               
a pedido de várias famílias, quero dizer, das minhas colegas de trabalho, dos meus amigos, principalmente amigas, em especial a YÔ, ( a quem estou a dever uns comentários no espaço dela, visitem…) que me têm incentivado a mostrar o que escrevo, resolvi perder a vergonha e começar a pouco e pouco a colocar aqui no meu espaço, o que vou vivendo, pensando, escrevendo e tudo o mais que me passa pela cabeça e pelo corpo; como tudo, em geral, começa pelo princípio, não é? é o que dizem, e também como dizem que, no princípio era o verbo, resolvi colocar aqui o que escrevi sobre as minhas origens fisicas, pelo menos as que me lembro e conheço, porque as outras, ninguém sabe ao certo… 
Assim, aqui vão as origens desta espécie de animal… 
  
  
 DE ONDE SOU
 
Sou, de terra alentejana,
Da planície encantada,
Para além do Guadiana,
Terra pelo sol queimada;
 
Perto da terra raiana,
Junto a uma coutada,
Quase dentro de Espãna,
Do seio da terra lavrada;
 
Sou, de terra remota,
Do meio do rio, sem fundo,
Ando por minha conta,
Pelas andanças do mundo;
 
Trago raízes dos montes,
Plantadas lá pelo mato,
Regadas com águas das fontes
E chuva vinda do alto;
Oirégor